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Terceira island

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2023

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  Mais um ano que termina. Compromisso em receber o Ano Novo com alegria e esperança. O que interessa é que ainda tenho pelo menos muitos mais pela frente  , sei que não chegam para tudo o que gostaria de fazer, mas alguma coisa se há de arranjar. Para 2023, quero aquilo que sempre quis. Nada de lamúrias, queixas ou queixinhas, e sim, abraçar o futuro com otimismo. Quem me conhece também sabe aquilo que quero e aquilo em que acredito. É assim que recebo 2023, que já deve vir ensinado pelos anos anteriores para me dar trabalho, mas que representa mais uma oportunidade de não me limitar a somar os dias. Isso não.

Professoraaaa....

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  Professoraaaaaa! -   Sim, diz lá. - Para onde vai aquilo que ensinas? - Para aprenderes dentro do que és. - E para que me pegas na mão? - Para veres onde pões os pés. - Professoraaaaaa! -   Sim, diz lá. - Posso pintar a casa de verde? - Pinta-a como tu o vês Que eu não vejo por ti e quero aprender contigo Que ser professora sozinha é coisa que não consigo… - Professoraaaaaa! -   Sim diz lá. - De onde vem a tua paciência? - Vem de ti, de mim e do futuro que trazes e que me ajuda a sonhar Que, se a idade nos separa, o sonho nos vem aproximar… - Professoraaaaaa! -   Sim, diz lá. - Tenho medo de não ser capaz. - Também eu, mas não podemos desistir E mais não te posso ensinar Que a cada um cabe cair para se saber levantar Para aprender por si que é capaz… - Professoraaaaaaaa! - Diz lá. - Não sei o que hei de escrever nesta composição… - Ai, rapariga, fecha os olhos e olha para dentro Sente a chuva, sente o ven...

"Banco dos AMIGOS – todas as escolas deviam ter um ….

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  Ontem visitei a minha antiga escola. Vi um banco de cores vivas, no recreio. Perguntei se era o único lugar para me sentar. Respondeu-me um aluno: - Não. É o banco dos amigos. Quando algum menino se sente sozinho ou não consegue encontrar um companheiro de brincadeira, vai sentar-se ali e logo aparece alguém para brincar com ele. Disse-lhe que achava uma ótima ideia e perguntei-lhe se ele já o tinha usado alguma vez. Respondeu-me: - Sim. No início do ano, quando eu era novo aqui. Sentei-me ali e um menino veio convidar-me para brincar com ele. Isso fez-me sentir aceite no grupo. E agora, quando vejo alguém ali sentado, convido-o para brincar também."  

Memórias soltas

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  Faz por estes dias trinta anos que entrei na Faculdade. Vinte anos. Por um lado, parece que foi ontem. Por outro, já foi há tanto tempo. Lembro me do meu pai, ao fundo daquela calçada, em Coimbra, que me levava à Faculdade, dizer me no dia que me deixou (sozinhos os dois): Filha, se tudo correr bem, não voltas mais para casa. Não tenhas medo. Eu vou ficar muito orgulhoso se isso acontecer. Naquele dia, não consegui interpretar tudo o que estava ali. Nem tão pouco quereria ouvir aquilo. Também sei que se a minha mãe estivesse lá, teria revirado os olhos. Todos queríamos o voo, mas sem sair do ninho. O meu pai sempre me disse as coisas certas no momento certo. Tenho várias passagens destas que vão ecoar cá dentro para o resto da vida. Soube mais tarde, tudo o que estava guardado naquilo que ele me disse. Repito o, algumas vezes, não aos adolescentes que entram, mas aos pais que têm que deixar ir. Estudar fora, sair de casa é talvez uma licenciatura a mais que se tira. E...

CAMINHOS

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  Ao longo da vida vamos enchendo a sacola de pedras, umas afiadas, outras lisas, algumas mais leves, outras tantas bem pesadas. A sacola vai ficando tão pesada quanto o nosso corpo, o cansaço avoluma-se, a alegria da caminhada esvai-se, pouco a pouco, vamos passo a passo, curvados, com dores no corpo e na alma. O caminho faz-se caminhando, apesar do peso que carregamos, apesar da negridão que nos envolve, o caminho faz-se em busca de luz. E… um dia, de repente, ganhamos coragem para tirar uma das pedras mais pesadas e cutilantes. A sacola ficou mais leve, bem mais leve. As nuvens afastaram-se, o sol brilha, a esperança de dias mais felizes regressou. O corpo ganha forças, endireita-se, o coração sorri, os olhos brilham. Ainda temos pedras na sacola, algumas sairão com o tempo, com vontade de atirá-las para bem longe. Outras ficarão. Têm de ficar, são a prova do que fomos e do que somos agora. A caminhada faz-se caminhando, em longos percursos dolorosos e dilacerantes, é ce...

MEMÓRIAS SOLTAS

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  Nessa altura de jovem esbelta, percorria as ruas de Lagos e sentia muita liberdade ao percorrê-las a pé ou de bicicleta. Ruas limpas de casas caiadas de branco com janelas debruadas a amarelo ou azul e com grandes açoteias. Lembro-me dos dias de verão, intermináveis, nesse tempo, em que tudo vinha longe e de esperar pela manhã madrugadora para ir à doca ao peixe. Atravessava a pequena cidade, de canastra na mão, senhora da minha meninice e do recado que a minha mãe me mandava fazer. Quando chegava ao meu destino dizia Bom dia, vim buscar o peixe, e uma senhora pequenina com um avental maior do que ela, fazia – me entrar numa embarcação, também pequena, onde tudo rugia, pintada também de branco e azul com que a senhora me enchia a canasta com o peixe recomendado. Pronto, agora tem cuidado, não deixes cair a canasta, dizia-me ela tapando o peixe com uma linda toalha de linho, também ela branca e azul. Eu dizia que sim com a cabeça, e tomava o caminho de regresso a casa, que tinha a...